España y Portugal destacan por su mayor dinamismo inversor y sus condiciones para atraer inversión industrial Royal Caribbean de…
Europa enfrenta um desafio significativo para recuperar a competitividade e fechar uma lacuna de investimento estimada entre 750,000 e 800,000 milhões de euros por ano, conforme apontado no relatório do McKinsey Global Institute intitulado “Catalizando a competitividade: Onde se investe e porque”, que detalha que enquanto a indústria tradicional no centro do continente sofre uma desaceleração estrutural, Espanha e Portugal apresentam condições relativamente mais favoráveis para certos investimentos industriais.
De acordo com o mesmo relatório, Espanha apresenta uma combinação de fatores que poderia favorecer a atração de investimentos industriais, especialmente em atividades intensivas em energia, graças a custos energéticos relativamente competitivos, ao acesso ao mercado europeu e a uma melhora consistente nos níveis de investimento.
O estudo da consultoria ressalta que o motor de investimento nas principais economias ocidentais experimentou um freio nas últimas duas décadas, afetando a competitividade e a produtividade futura da região. Com essa lacuna anual de entre 750,000 e 800,000 milhões de euros, o relatório indica que a Europa precisaria aumentar o investimento privado para ampliar sua capacidade produtiva e inovadora.
No entanto, o relatório destaca que essa desaceleração não afeta de forma equitativa todos os territórios europeus. A Alemanha viu sua taxa de investimento produtivo líquido diminuir para 0,2% de seu PIB, pois suas estratégias de resposta priorizaram a consolidação fiscal e a limitação constitucional ao endividamento, conhecida como Schuldenbremse.
Essa tendência contrasta diretamente com a realidade da península ibérica, que exibe um maior dinamismo de investimento, como é o caso da Espanha, que possui uma taxa de investimento produtivo líquido superior a 2% de seu PIB.
O relatório agrupa a Espanha com a França e a Itália como os países que conseguiram recuperar um impulso de investimento muito mais dinâmico após a crise da eurozona.
Por sua vez, Portugal registra uma taxa de investimento produtivo líquido de 4,6% de seu PIB em 2024, posicionando-se entre as economias europeias com as maiores taxas de investimento produtivo líquido.
Apesar dessa tendência positiva nos fluxos mais recentes, a análise ressalta que permanecem assimetrias no estoque de capital produtivo acumulado. A Espanha apresenta um estoque de capital produtivo por trabalhador superior ao de Portugal, embora ainda inferior ao de França, Alemanha ou Estados Unidos.
CUSTOS ENERGÉTICOS
O relatório identifica os custos energéticos como um dos fatores que mais influenciam as decisões de investimento industrial. O aumento dos custos energéticos contribuiu para o fechamento de cerca de 40 milhões de toneladas de capacidade petroquímica desde 2022.
Nesse contexto, Espanha e Portugal possuem uma vantagem relativa na Europa, graças a uma maior disponibilidade de geração renovável e a custos elétricos inferiores aos de outras regiões industriais do continente. Em 2024, o preço médio da eletricidade industrial na Espanha situou-se em cerca de 120 dólares/MWh, em comparação com aproximadamente 200 dólares/MWh na Alemanha e 155 dólares/MWh em média na UE-27.
O relatório também destaca que parte dos novos investimentos eletrointensivos já está se direcionando para regiões com custos energéticos mais competitivos, incluindo a península ibérica e os países nórdicos.
Essas condições poderiam favorecer a localização de projetos relacionados a materiais para baterias, indústrias eletrificadas, centros de dados e indústrias intensivas em eletricidade. Ao mesmo tempo, o estudo recorda que a competitividade continua sendo um desafio global.
Mesmo em indústrias como as gigafábricas de baterias, em que a Europa possui localizações relativamente competitivas, os custos ainda são significativamente superiores aos da China.
O DESAFIO DOS CUSTOS E DA VELOCIDADE
Apesar das vantagens geográficas, o estudo alerta para a diferença competitiva em relação aos líderes globais de investimento, representados pela China e Taiwan. Os custos nivelados nas economias avançadas são, em geral, pelo menos 50% superiores aos dos países que capturam a maior quota de capital produtivo internacional, aumentando até 300% em projetos de P&D.
Uma parte considerável dessa diferença resulta de maiores custos trabalhistas que, em muitas instalações de última geração, já não são compensados plenamente por níveis de produtividade mais elevados, uma vez que as tecnologias e processos utilizados tendem a se convergir entre geografias.
O tempo de comercialização consolidou-se como um fator crítico da competitividade industrial moderna. Uma parte substancial da desvantagem de custos que penaliza os operadores ocidentais não se origina nas matérias-primas básicas, mas sim em atrasos no desenvolvimento e na execução de projetos.
O relatório indica que, em determinados setores, a adoção de modelos de desenvolvimento mais ágeis poderia reduzir significativamente os tempos de desenvolvimento e contribuir para diminuir os custos nivelados.
PALANCAS PARA O REEQUILÍBRIO INDUSTRIAL
Para que o investimento privado se torne novamente atraente em um ambiente fragmentado, o relatório propõe um plano de ação conjunto baseado em sete palancas estratégicas.
As primeiras medidas contemplam otimizar o gasto de capital (Capex) ao industrializar a construção com projetos modulares e uma burocracia mais ágil.
Adicionalmente, busca-se contrabalançar os altos custos salariais impulsionando a produtividade do trabalho com automação avançada e inteligência artificial (IA), apoiando-se em reformas fiscais normativas e em modelos de contratação flexíveis que emulam a flexicurity da Dinamarca.
Além disso, é crucial assegurar um fornecimento energético limpo e abundante, incentivando a realocação das indústrias eletrointensivas para regiões com tarifas renováveis favoráveis, como Espanha e Portugal ou os países nórdicos.
Por outro lado, as empresas poderiam encurtar seus tempos de comercialização através de metodologias de design em paralelo em suas fases de pesquisa e desenvolvimento.
Para evitar competir apenas por custos, o relatório sugere linhas de ação que priorizem a inovação e a diferenciação técnica em nichos especializados de alto valor, onde a reputação da marca ou as patentes asseguram preços premium capazes de absorver os sobrecustos estruturais.
Finalmente, a análise propõe concentrar capital em setores críticos menos sensíveis ao custo e essenciais para a segurança geopolítica, como chips avançados, biotecnologia ou infraestrutura de supercomputação para IA, combinando este esforço com uma política industrial transparente que utilize subsídios específicos, tarifas seletivas e controles de investimento para mitigar as assimetrias do mercado exterior.
O relatório conclui que reequilibrar o investimento demandará impulsionar a produtividade, a inovação e a especialização, juntamente com políticas que ajudem a equilibrar as condições de concorrência.

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