Portugal apuesta por el centro eligiendo a Seguro como el político más votado de la historia del país El socialista Seguro se im…
MADRID, 9 de fevereiro.
O recém-eleito presidente de Portugal, António José Seguro, fez história neste domingo ao se tornar o político mais votado da democracia lusa, com 3.482.481 votos, refletindo um consenso à esquerda e à direita contra a extrema-direita de Chega.
O sucesso de Seguro é ainda mais significativo se considerarmos que ele era um candidato considerado residual. Desde 2014, quando perdeu as primárias para o ex-primeiro-ministro António Costa, Seguro, de 64 anos, estava afastado da linha de frente política, mas agora regressa para assumir o cargo constitucionalmente mais importante do país.
Ainda aguardando que uma dezena de localidades fechem a votação na próxima semana, em um cenário eleitoral marcado por um temporal que assolou Portugal, Seguro superou o recorde anteriormente estabelecido pelos ex-presidentes António Ramalho Eanes e Mário Soares, conquistando 66,8% dos votos com uma mensagem moderada e institucional, vencendo em todos os distritos e regiões, exceto entre os portugueses no exterior.
Seguro sai dessas eleições com um nível de legitimidade sem precedentes nas últimas décadas, e, embora tenha afirmado na noite eleitoral que não seria oposição nem tem a intenção de interromper a legislatura, ele fez questão de avisar que, como presidente de “todos os portugueses”, será “exigente com os resultados”.
“Prometi lealdade e cooperação institucional com o Governo. Cumprirei minha palavra. Nunca serei um contrapoder, mas um presidente que exige soluções e resultados”, declarou Seguro durante a noite eleitoral.
O novo presidente também teve que superar a desconfiança e a oposição de uma parte significativa do Partido Socialista, que voltará a ter um de seus membros no Palácio de Belém pela primeira vez em duas décadas.
Seguro foi capaz de transformar a contenda eleitoral em uma disputa que vai além da clássica dicotomia entre esquerda e direita, colocando como eixo central a institucionalidade do cargo, algo em risco devido ao discurso de confronto e às manobras de seu oponente, o ultradireitista André Ventura.
Embora a direita tradicional possa se sentir ameaçada por outras forças políticas, o Partido Socialista, por sua vez, não encontra à sua esquerda formações que coloquem em risco sua hegemonia. Seguro soube contar com apoios progressistas sem arriscar outro tipo de eleitorado mais centrado, e até conservador.
Por outro lado, Ventura, líder de Chega, não alcançou a vitória eleitoral improvável nem o que parecia ser seu principal objetivo: melhorar os resultados obtidos pelo primeiro-ministro Luís Montenegro nas últimas legislativas, reforçando sua imagem como líder da direita para o futuro.
Ainda assim, Ventura, em um tom distante da hostilidade que manteve durante toda a campanha, saiu na noite passada para comemorar o melhor resultado do partido e tentar transformar a derrota em uma vitória partidária que lhe permitisse se posicionar como representante da direita portuguesa.
Ventura obteve 33,2% dos votos nessas presidenciais, superando os 31,8% que a Aliança Democrática conseguiu nas legislativas de 2025, mas com apenas 1,7 milhão de votos, muito aquém dos dois milhões de sufrágios que os portugueses concederam à coalizão conservadora liderada por Luís Montenegro.



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